Carnaval Diário Oficial História Serviços Guia Turístico Notícias Agenda Infocidade Preto no Branco Fotos
   
    Olinda Gente
 
Comunicação Olinda Comunicação Olinda
21/08/2003 - 09:14

Um gigante que atende por Sílvio Botelho

Lícia Magna

Passarinho
Sílvio Botelho: responsável pela confecção de 90% dos bonecos gigantes que desfilam no Carnaval de Olinda

Durante o Carnaval, as ruas de Olinda são invadidas por cerca de 500 bonecos gigantes que representam um espetáculo de criatividade e irreverência. Com suas caras alegres, sorrisos largos e enormes braços balançando ao som do frevo eles contagiam de animação milhares de foliões no sobe e desce das ladeiras. A confecção de 90% dos grandes bonecos é fruto das mãos do gigante artista plástico Sílvio Botelho.

Nascido em 1956, em Olinda, adquiriu o gosto pela arte ainda criança. Por ser de origem pobre, não possuía condições para comprar brinquedos em lojas. A partir dessa dificuldade, sua capacidade criadora começou a se revelar. Aos nove anos, começou a produzir os seus próprios objetos de divertimento. Para isso, utilizou o barro para construir maquetes do município e réplicas de moradores da comunidade.

Sua habilidade em transformar obstáculos em possibilidade de criação é marca em sua história. Na adolescência, por conta dos recursos financeiros escassos, precisava trabalhar. O artista autodidata resolveu confeccionar esculturas em talha e vendê-las no Sítio Histórico. As peças eram facilmente negociadas.

Mas, sua maior vontade era produzir grandes bonecos. A oportunidade surgiu em 1974, quando o carnavalesco Ernandes Lopes sugeriu que Botelho confeccionasse o terceiro boneco da cidade que deveria se chamar Menino da Tarde e medir 2,90 metros. O novo integrante representaria o filho do Homem da Meia Noite com A Mulher do Dia.

Mesmo sem nunca ter feito uma obra de arte de grande porte, decidiu aceitar o desafio. Em dois meses, o Menino da Tarde ficou pronto. O boneco pesava 35 quilos e foi confeccionado em madeira, capim, papelão duro e papel. Ao ver o resultado, o renomado artesão Roque Fogueteiro ficou impressionado com a beleza da obra e aconselhou Botelho a prosseguir no caminho da arte. A partir daí, o “pai dos bonecos” não parou de produzir seus gigantes.

Os “grandes foliões” produzidos pelo artista são inspirados em personagens da cidade, políticos e artistas. Hoje em dia, medem 3,60 metros, são confeccionados em papel, isopor, fibra de vidro e tecido e chegam a pesar 13 quilos. O atual boneco do Homem da Meia noite também passou pelas mãos de Botelho. Ele foi reformado e ficou mais leve e colorido. A repercussão do seu trabalho faz com que ele receba encomendas de outros Estados e de outros países.

Outra importante colaboração para o fortalecimento da cultura aconteceu há 16 anos. Na época, Botelho tornou a Festa de Momo ainda mais animada com a idéia de reunir os gigantes num desfile pelas ladeiras da cidade. O encontro, realizado sempre às terças carnavalescas, é uma oportunidade para as pessoas apreciarem os novos e antigos bonecos.

Em 2000, ele assumiu a vice-presidência do clube O Homem da Meia Noite. Um ano depois, com a morte do seu primo e então presidente da agremiação, Tharcio Botelho, o cargo ficou sob sua responsabilidade. Passou sete meses à frente da associação carnavalesca.

Apaixonado por Olinda, já recusou propostas de emprego no exterior. Para ele, é importante divulgar a cultura da cidade desde que não precise abandonar as suas raízes. Ele confessa que não consegue ficar mais de 15 dias distante de sua terra natal.

E justamente por ser fascinado pela cultura da cidade, os anos de 1997 a 2000 são marcados por tristeza para o artista. Nesse período, o brilho do desfile dos bonecos gigantes estava sendo abafado pelo avanço do axé, pela obstrução das ruas e pela brincadeira de mela-mela. O bonequeiro chegou a chorar ao presenciar algumas pessoas jogando água suja e rasgando a roupa das suas criaturas.

Para sua alegria, em 2001, foram efetivamente proibidos os pólos independentes, brincadeiras de mela-mela e houve uma valorização dos ritmos locais como frevo e maracatu. Com isso, a cor e espontaneidade dos grandes bonecos voltaram a reinar.

E por acreditar que a arte deve se estender pelos 365 dias do ano, Botelho abre ao público, de segunda à sexta, as portas do seu ateliê localizado à rua do Amparo. Anualmente, o local chega a receber mais de cinco mil visitantes.

Um dos seus desejos é contribuir para perpetuar a cultura em Olinda. Para isso, ele ensina a arte de produzir bonecos gigantes e alguns adereços às crianças e jovens da comunidade. Muitos dos novos artistas já começam a seguir os passos do mestre.


 
   
 
Total: 12
| 1 a 10 |
 

15/04/2004 - 17:00
Um homem simples atrás de um balcão muito especial
Comunicação Olinda

06/02/2004 - 10:40
Uma homenagem a Dona Dá
Comunicação Olinda

07/11/2003 - 13:00
Ypiranga Filho: o invencionista da Ribeira
Comunicação Olinda

20/10/2003 - 08:00
A grande dama do Carnaval de Olinda chega aos 94 com a alegria de uma menina
Comunicação Olinda

10/10/2003 - 11:20
Um roteiro sobre a vida do cineasta Lula Gonzaga
Comunicação Olinda

26/09/2003 - 12:14
Fernando Guimarães: o homem do licor com sabor de Olinda
Comunicação Olinda

12/09/2003 - 08:37
Merinho: o regente da cultura pernambucana
Comunicação Olinda

29/08/2003 - 14:33
Ataíde: personalidade olindense fantasiada de folião
Comunicação Olinda

15/08/2003 - 12:00
Tereza Costa Rêgo quadro a quadro
Comunicação Olinda

08/08/2003 - 16:00
A Rabeca do Salu
Comunicação Olinda

Avançar >>